A greve dos que sustentam o mundo nas costas

Transcrevo abaixo artigo meu publicado na Folha de S. Paulo de hoje, na seção Cifras & Letras.

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0910201005.htm 

Cifras & Letras

CRÍTICA – LIBERALISMO

Ayn Rand ataca socialismo mostrando greve de patrões

Livro formou economistas como Alan Greenspan, ex-presidente do Fed

EDUARDO CHAVES

Especial para a Folha

A Bíblia do pensamento liberal na segunda metade do século não é um livro de economia ou de filosofia política: é um romance.

"Atlas Shrugged", a clássica defesa da liberdade, do individualismo e do capitalismo escrita por Ayn Rand (1905-81), romancista e filósofa russo-americana, acaba de ganhar nova edição em português, com novo título: "A Revolta de Atlas".

A edição anterior, publicada em 1987, e há muito esgotada, tinha o título de "Quem é John Galt?". A tradução é a mesma, mas foi editada e revisada pela editora Sextante.

Com 1.232 páginas na presente edição, o livro tem um enredo extremamente complexo e bem elaborado, que não é possível resumir aqui.

No entanto, uma descrição, ainda que breve, do tema escolhido por Rand dá ideia da dimensão da obra.

Originalmente publicada em 1957, a história se passa nos Estados Unidos, numa época futura em que o país, seguindo o exemplo de países europeus e latino-americanos, caminha para o socialismo e resolve regular e assim controlar sua economia.

GREVE DOS CHEFES

O livro descreve o que acontece quando aqueles que (como Atlas) sustentam o mundo nas costas resolvem fazer greve, sacudindo o mundo dos ombros e deixando que literalmente se dane.

"Vamos ver o que acontece ao mundo quando quem faz greve contra quem" é frase (retirada do livro) que resume o tema da obra.

Entrando em greve, empresários americanos começam a desaparecer, abandonando suas empresas nas mãos de reguladores e controladores estatais. Grandes filósofos, cientistas e artistas também desaparecem, abandonando seus empreendimentos.

O lado otimista da história é que o Estado pode confiscar empresas e outros empreendimentos, mas não consegue obrigar empresários e outros empreendedores a lhe arrendar suas mentes, sua criatividade, sua competência, seu trabalho.

O Estado, portanto, que fique com os empreendimentos, decidem seus proprietários na história. Mas eles não colocam mais suas mentes a serviço da sustentação de um mundo onde esse tipo de confisco pode acontecer.

(Na realidade, o que deixam para o Estado espoliador não passa da carcaça de empresas e empreendimentos cuja alma eles levaram consigo.)

CAOS

A história narra nos mínimos detalhes o caos que resulta dessa inusitada greve em que aqueles que normalmente são vítimas das greves, os empreendedores, retiram do mercado sua mente e seu trabalho, e, no processo, deixam o mundo sem bens, sem serviços, sem empregos.

Quando Atlas faz greve, o mundo literalmente desmorona (mais ou menos como aconteceu com o mundo comunista em 1989).

Ao final da história, quando as luzes do velho mundo se apagam, simbolizando a derrocada que lhe sobrevém quando Atlas deixa de sustentá-lo, a porta está aberta para a construção de um mundo novo: a greve termina e Atlas está pronto para reassumir seu lugar.

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EDUARDO CHAVES foi professor de filosofia da Universidade Estadual de Campinas e, depois de aposentado, leciona filosofia da educação no Centro Universitário Salesiano de São Paulo.|

A REVOLTA DE ATLAS
AUTORA Ayn Rand
TRADUÇÃO Paulo Henriques Britto
EDITORA Sextante
QUANTO R$ 69,90 (1.232 págs.)

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Em São Paulo, 9 de Outubro de 2010

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All Nobel Prizes in Literature

The Nobel Prize in Literature has been awarded 102 times to 106 Nobel Laureates between 1901 and 2009.

2010

Mario Vargas Llosa (announced today, Oct 7, 2010)

2009
Herta Müller

2008
Jean-Marie Gustave Le Clézio

2007
Doris Lessing

2006
Orhan Pamuk

2005
Harold Pinter

2004
Elfriede Jelinek

2003
John M. Coetzee

2002
Imre Kertész

2001
Sir Vidiadhar Surajprasad Naipaul

2000
Gao Xingjian

1999
Günter Grass

1998
José Saramago (Portuguese)

1997
Dario Fo

1996
Wislawa Szymborska

1995
Seamus Heaney

1994
Kenzaburo Oe

1993
Toni Morrison

1992
Derek Walcott

1991
Nadine Gordimer

1990
Octavio Paz (Mexican)

1989 
Camilo José Cela (Spanish)

1988
Naguib Mahfouz

1987
Joseph Brodsky

1986
Wole Soyinka

1985
Claude Simon

1984
Jaroslav Seifert

1983
William Golding

1982
Gabriel García Márquez (Colombian)

1981
Elias Canetti

1980
Czeslaw Milosz

1979
Odysseus Elytis

1978
Isaac Bashevis Singer

1977
Vicente Aleixandre (Spanish)

1976
Saul Bellow

1975
Eugenio Montale

1974
Eyvind Johnson, Harry Martinson

1973
Patrick White

1972
Heinrich Böll

1971
Pablo Neruda (Chilean)

1970
Aleksandr Isayevich Solzhenitsyn

1969
Samuel Beckett

1968
Yasunari Kawabata

1967
Miguel Angel Asturias (Guatemalan)

1966
Shmuel Yosef Agnon, Nelly Sachs

1965
Mikhail Aleksandrovich Sholokhov

1964
Jean-Paul Sartre

1963
Giorgos Seferis

1962
John Steinbeck

1961
Ivo Andric

1960
Saint-John Perse

1959
Salvatore Quasimodo

1958
Boris Leonidovich Pasternak

1957
Albert Camus

1956
Juan Ramón Jiménez

1955
Halldór Kiljan Laxness

1954
Ernest Miller Hemingway

1953
Sir Winston Leonard Spencer Churchill

1952
François Mauriac

1951
Pär Fabian Lagerkvist

1950
Earl (Bertrand Arthur William) Russell

1949
William Faulkner

1948
Thomas Stearns Eliot

1947
André Paul Guillaume Gide

1946
Hermann Hesse

1945
Gabriela Mistral (Chilean)

1944
Johannes Vilhelm Jensen

1943
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1942
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1941
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1940
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1939
Frans Eemil Sillanpää

1938
Pearl Buck

1937
Roger Martin du Gard

1936
Eugene Gladstone O’Neill

1935
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was with 1/3 allocated to the Main Fund and with 2/3 to the Special Fund of this prize section.

1934
Luigi Pirandello

1933
Ivan Alekseyevich Bunin

1932
John Galsworthy

1931
Erik Axel Karlfeldt

1930
Sinclair Lewis

1929
Thomas Mann

1928
Sigrid Undset

1927
Henri Bergson

1926
Grazia Deledda

1925
George Bernard Shaw

1924
Wladyslaw Stanislaw Reymont

1923
William Butler Yeats

1922
Jacinto Benavente

1921
Anatole France

1920
Knut Pedersen Hamsun

1919
Carl Friedrich Georg Spitteler

1918
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was allocated to the Special Fund of this prize section.

1917
Karl Adolph Gjellerup, Henrik Pontoppidan

1916
Carl Gustaf Verner von Heidenstam

1915
Romain Rolland

1914
No Nobel Prize was awarded this year. The prize money was allocated to the Special Fund of this prize section.

1913
Rabindranath Tagore

1912
Gerhart Johann Robert Hauptmann

1911
Count Maurice (Mooris) Polidore Marie Bernhard Maeterlinck

1910
Paul Johann Ludwig Heyse

1909
Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf

1908
Rudolf Christoph Eucken

1907
Rudyard Kipling

1906
Giosuè Carducci

1905
Henryk Sienkiewicz

1904
Frédéric Mistral, José Echegaray y Eizaguirre

1903
Bjørnstjerne Martinus Bjørnson

1902
Christian Matthias Theodor Mommsen

1901
Sully Prudhomme

TO CITE THIS PAGE:

MLA style: "All Nobel Prizes in Literature". Nobelprize.org. 7 Oct 2010 http://nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/

Em São Paulo, 7 de Outubro de 2010

A Revolta de Atlas (Atlas Shrugged)

‎"Liberais e capitalistas do mundo, uni-vos!" – e metei a mão no bolso para gastar 56 reais.

A VEJA de 29/9/2010 traz artigo sobre Atlas Shrugged, de Ayn Rand, de 1957, que reaparece em Português (Editora Sextante), em nova edição, tradução de Paulo Henriques Britto, com o título de A Revolta de Atlas. Vendido em set de 3 volumes, por 69,90 (1232 págs), o livro começou a ser vendido nas livrarias hoje. A Cultura e a Saraiva estão oferecendo desconto de 20% na venda online. Comprei mais uma cópia, na Cultura. Encomendei ontem, pela Internet, recebi hoje à tarde em casa.

Para mim, é o melhor romance que já li. Recomendo-o sem reservas. É longo, mas é extremamente engajante.

Em São Paulo, 27 de Setembro de 2010

“O Mal a Evitar”

Impecável o Editorial do Estadão.

Fui colega de José Serra por muitos anos na UNICAMP. Nunca foi simpático. Trabalhei para ele no início do mandato dele no governo do Estado de São Paulo, em 2007. Apesar disso, continuei a acha-lo, no plano pessoal, chato, irritante mesmo, cheio de manias. Mas não tenho dúvida de que é o candidato mais honesto, mais íntegro, mais capaz e mais preparado para assumir o governo brasileiro no próximo ano. As mulheres que pretendem votar nelas que me desculpem, mas nem a Marina nem muito menos Dilma tem um décimo da competência e da capacidade de José Serra – para não falar em sua experiência. A Marina pode ter a mesma honestidade e integridade, mas não tem a competência, a capacidade e a experiência executiva de José Serra.

Por isso, endosso o Editorial do Estadão, no seu apoio a José Serra e nas suas críticas que faz a Lulla.

Se alguém tinha alguma dúvida quanto ao despreparo de Lulla para o exercício da Presidência da República, o último ano a removeu. Ele provou, além de qualquer dúvida, para quem quer ver, que não tem capacidade sequer para entender a dignidade do cargo que ocupa e pelo menos cumprir a liturgia da função que exerce. Comporta-se, nessas eleições, como cabo eleitoral barato de uma candidata que ele impôs, como porta-bandeira de um partido corrupto, que não se vexa de fazer seus trambiques e tramóias – ou suas maracutais — na própria ante-sala da Presidência, no Palácio do Planalto, diante das barbas, certamente mal-cheirosas (porque ultimamente ele vive babando), do Presidente.

A se confirmarem os resultados das pesquisas, que Deus nos ajude. Vamos precisar. Nunca antes nesse país precisamos tanto. 

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O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2010

Editorial: O mal a evitar

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.

Texto publicado na seção "Notas e Informações" da edição de 26/09/2010

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Em 27 de Setembro de 2010

Socialismo na escola

Já havia visto isso antes, mas recebi uma cópia hoje de um amigo, e resolvi compartilhar. A leitura é sempre instrutiva.

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SIMPLES E MUITO BEM EXPLICADO…

Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e “justo”.

O professor então disse:

– Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe.. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e, portanto seriam “justas”.

Com isso ele quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"…

Depois que a média das primeiras provas foi tirada, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F". As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por “justiça” dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.

Portanto, todos os alunos repetiram o ano… Para total surpresa!!!

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

"É impossível multiplicar riqueza dividindo-a e redistribuindo-a."

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Em São Caetano do Sul, 23 de Setembro de 2010

SoArte

O culto matinal da Catedral Evangélica (Primeira Igreja Presbiteriana Independente) de São Paulo celebrou os nove anos de operação do SoArte (Centro de Desenvolvimento Cultural e Artístico), um projeto social da igreja, mantido pelo Promover (Centro de Promoção Humana Otoniel Mota), organismo criado por ela, em 1999, para gerenciar seus projetos sociais.

Vide
http://www.catedralonline.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=80&Itemid=157

Participaram do culto a Orquestra Filarmônica Educacional (80 integrantes), a Orquestra de Câmara (18 integrantes), uma das quatro Bandas (15 integrantes), e o Madrigal (22 integrantes). Foi um verdadeiro festival de música sacra da melhor qualidade. Os hinos cantados / tocados foram, sem exceção, aqueles hinos tradicionais, clássicos mesmo, que eu conheço tão bem e dos quais em nenhum momento de minha vida deixe de amar e de cantar. Muitos deles sei de cór ainda hoje, pelo menos a primeira e a última estrofes (apesar de pequenas mudanças na letra, atualizando a linguagem meio envelhecida de poesias muitas vezes escritas por missionários em tradução de hinos americanos). Entre eles foram cantados hoje “A Deus Demos Glória”, “Eu Venho como Estou”, “Maravilhosa Graça”, “Conta as Bênçãos”, “Vivifica a tua Igreja”… A Orquestra Filarmônica fez um Postlúdio apoteótico tocando a Suite Eslava no 8, Opus 46, de Dvorak.

O Boletim completo do culto pode ser encontrado em

http://www.catedralonline.com.br/index.php?option=com_docman&Itemid=99.

Transcrevo, a seguir, o encarte do Boletim que fala sobre a SoArte:

[Início da Transcrição]

“SoArte: Transformando Sonhos em Realidade! Um Sonho que Dá Frutos!

Há nove anos nascia o SoArte – Centro de Desenvolvimento Cultural e Artístico. COm o nome de CEM (Centro de Educação Musical), começou com dez alunos e dois cursos de música. Hoje colhe os frutos de uma visão empreendedora e responsável, que permitiu a inclusão de mais de 250 pessoas no projeto.

Atualmente o SoArte oferece 18 cursos de música e sete práticas em conjunto: Orquesta Filarmônica Educacional (80 componentes), Coral Educacional (45 cantores), 4 Bandas (quinze integrantes), Camerata de Violões e Teclados (12 componentes), Orquestra de Câmara (18 integrantes), Madrigal (22 cantores), e Coral Infantojuvenil (17 integrantes).

O SoArte realiza cerca de 20 apresentações / concertos anuais e dois festivais.

O SoArte apresenta-se como uma alternativa de transformação de pessoas por meio da arte e contribui para a melhoria da qualidade de vida dos envolvidos com ele direta e indiretamente. Para atingir seus objetivos, conta com a participação de pessoas e empresas na manutenção do projeto, sem o que não seria possível a sua existência. Mas ainda há muito para ser realizado, haja vista a lista de espera com mais de 300 interessados, que aguardam a oportunidade de estudar no SoArte. O projeto precisa de recursos para bolsas de estudo e aquisição de instrumentos e equipamentos. ~

Com o olhar no futuro, o SoArte busca novos horizontes, desenvolvendo três grandes frentes de trabalho nas áreas de Educação e Cultura:

Primeira – Trabalhando na solidificação de projetos sócio-culturais que permitam acessabilidade a todas as pessoas, sem distinção de credo, raçca, cor ou sexo, mas com foco principal nos menos favorecidos;

Segunda – Executando ações para a criação de uma plataforma de cursos profissionalizantes;

Terceira – Planejando a criação de uma plataforma acadêmica e de pesquisa, que deverá ser a base de uma Faculdade de Artes.”

[Fim da transcrição]

A qualidade do trabalho é admirável.

Em São Paulo, 12 de Setembro de 2010

Gratidão

Amanheceu chovendo.

Depois de uma eternidade sem chuva, em que a grama do sítio ficou russa, a estrada que leva a ele, uma poeira só, e o ar ficou tão seco que até as autoridades de saúde se preocuparam, choveu. Chove ainda.

O dia do meu aniversário trouxe a chuva tão esperada e desejada.

É verdade que, quando percebi, de manhãzinha, que estava chovendo forte, com direito a trovões e tudo, fiquei preocupado. Minha filha mais nova, meu filho e um de meus sobrinhos prometeram vir para cá, hoje. Fiquei com medo de que a chuva atrapalhasse os planos. Para as crianças que já estão aqui – há quatro, se a gente, contra a vontade delas, esticar um pouco a definição de criança – a chuva é uma prisão que as obriga a ficar confinadas, dentro de casa, num sítio em que há muito espaço aberto. Ainda bem que há o mezanino, onde montam quebra-cabeças (puzzles) e jogam Nintendo DSi.

Mas tomei a decisão de não ficar preocupado. Se a chuva dissuadir de vir aqueles que ainda não estão aqui, que seja. A chuva é bem-vinda. Ela é sinal de que a vida, por maior que tenha sido a devastação que o Inverno causou, continua embaixo da grama queimada, nos galhos sem folha de algumas árvores (como os meus plátanos), nas folhas amarronzadas pela poeira de outras. Resolvi adotar a filosofia do salmista: “Este é o dia que o Senhor nos deu: alegremo-nos e regozijemo-nos nele.” Ainda que seja um dia chuvoso.

Afinal de contas, hoje faço  67 anos, feliz e com boa saúde. Amando. Amando assim de paixão. Isso, em si só, já é um milagre, nessa idade. Há muitos que, ao chegaram à idade em que passam a ser considerados idosos, já se desiludiram da vida, já abriram mão de amar. Aposentam-se não só do trabalho: aposentam-se do amor e da vida. Poucos têm o privilégio de uma experiência como a minha – de vir a amar depois dos 60 anos, de se apaixonarem numa idade já mais do que madura, como se ainda fossem adolescentes… (Leonel Brizola teve, Roberto Marinho também, para citar apenas dois casos conhecidos e notórios.) E, milagre maior ainda, tendo o privilégio de ser amado por alguém que arriscou tudo o que tinha para ficar comigo, do meu lado, curtindo, no mesmo passo, as urzes da jornada (como diz a poesia). E, além de tudo o mais, amando e sendo amado pelos filhos, pelos netos, pelos irmãos, pelos sobrinhos, pelos filhos dos sobrinhos, pelos primos, pelos filhos dos primos. (Entre os filhos estão, sem dúvida, aqueles que a lei considera enteados.) Por fim, amando e sendo amados por amigos queridos, quase irmãos. E não só sendo capaz de trabalhar, mas gostando dos desafios do trabalho, sentindo prazer em enfrentá-los. E, nos momentos de lazer, vendo e ouvindo os pássaros que, alegres pela chuva (e, imagino, pelo fato de estarem vivos), cantam, trinam, gorjeiam, chilreiam. Um bem-te-vi bemteveia agora aqui do lado na quaresmeira sem flores.

[A propósito, tenho pena dos dicionaristas. Para o Houaiss o bem-te-vi é apenas uma “ave passeriforme (Pitangus sulphuratus), da família dos tiranídeos, que ocorre do Sul dos Estados Unidos à Patagônia; com cerca de 22 cm de comprimento, bico longo e forte, coloração pardo-olivácea no dorso, amarela no ventre e cabeça preta e branca com uma mancha amarela no vértice”. Ele nem sequer diz que o bem-te-vi se chama assim no Brasil porque ele canta bem-te-vi. Na verdade, ele nem diz que o bem-te-vi canta…].

Dois dias felizes, porque ontem a Paloma e eu celebramos, com simplicidade, carinho e muito amor, na companhia da irmã dela e de dois irmãos meus, dois anos de vida em conjunto. Parece que foi ontem, e, no entanto, já se passaram dois anos. E, mais importante, parece que (como disse Vinicius, na Valsinha, que o Chico tão bem musicou) o mundo finalmente compreendeu e deixou o dia amanhecer em paz.

É isso. Fazia tempo que não escrevia assim com sentimento neste space. Faço-o hoje, em gratidão pelo amor, celebrado ontem, pela amizade, compartilhada nos dois dias, e pela vida, comemorada hoje — vida que me tem sido relativamente longa e bastante generosa. “Graças dou por esta vida”, dizia o hino que eu cantava na mocidade e de que meu pai tanto gostava. Continuo a cantá-lo. E a cantá-la, à vida.

Em Salto, n’O Canto da Coruja, 7 de Setembro de 2010

(Em tempo 1: Meu casal de corujas parece ter sumido… Espero que não tenham morrido, ou que não tenham abandonado o sítio em definitivo: que seja apenas hibernação.)

(Em tempo 2: As crianças – Priscilla, André e Bruno – salvaram um passarinho que havia caído na água da piscina. Precisaram quase ressuscitá-lo. Ele se aqueceu, se recompôs e foi embora.)

(NOTA acrescentada depois: A chuva não afugentou ninguém… Todo mundo apareceu. E sol, como que para brindar todo mundo, deu as caras no final do dia.)